Aum ॐ Meu Recanto de Paz: Julho 2013

ॐ Amigos, sejam muito BEM VINDOS!! ♥

terça-feira, 30 de julho de 2013

A Gente Se Acostuma...Mas Não Devia


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez vai pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Será que precisamos?

Será que precisamos de tudo aquilo que desejamos ter?

Já paramos para pensar sobre isso?
Eis uma reflexão que necessita de nossa atenção, e que irá colocar em análise muitos de nossos valores.

Lembramos de uma passagem narrando que Mahatma Gandhi, depois de ter conseguido a independência da Índia, fez uma visita à Inglaterra.

Passeava com algumas pessoas pelas ruas de Londres, quando sua atenção foi atraída para a vitrine de uma famosa joalheria.

E ali ficou Gandhi, olhando as pedras preciosas e as joias ricamente trabalhadas.

O dono da joalheria imediatamente o reconheceu, e foi até a rua saudá-lo:
Muito me honra que o Mahatma esteja aqui, contemplando o nosso trabalho. – Disse ele. Temos muitas coisas de imenso valor, beleza e arte, e gostaríamos de oferecer-lhe algo.

Sim, estou admirado com tanta maravilha. – Respondeu Gandhi. E, mais ainda, estou surpreso comigo, pois sabendo que podia ganhar um rico presente, ainda consigo viver e ser respeitado sem precisar usar joias.

Outro Espírito muito sábio também se refere a essa mesma questão. O Dalai Lama, em seu livro A arte da felicidade, propõe a seguinte prática:
Toda vez que estivermos diante de algo que desejamos adquirir, algo que nos desperte o desejo, a vontade, indaguemos a nós mesmos: “Será que precisamos disso?”

Se nos deixarmos levar por um primeiro impulso responderemos: “Sim, é claro que precisamos”, pois ainda não racionalizamos nada.

Agora, se pensarmos um pouco mais, e deixarmos esse primeiro ímpeto para trás, conseguiremos descobrir se realmente estamos precisando daquilo.

Assim, assegura-nos o líder tibetano que não seremos facilmente seduzidos pelas conquistas materiais, que tendem a querer nos escravizar.

Nosso ser é frágil e ainda acha que precisa de recursos externos para assegurar sua felicidade. A baixa autoestima, por vezes, nos faz procurar no mundo algo que consiga elevá-la.

Comprar roupas, carros, joias pode trazer uma certa satisfação às nossas vidas, mas ela será apenas momentânea. Logo que o encanto com o novo passe, voltaremos ao nosso anterior estágio de felicidade.

O ser que busca a espiritualização vai encontrar os recursos para construir sua felicidade naquilo que não é matéria, vai encontrar a satisfação nos sentimentos, nas ações nobres que pratique em favor do outro, numa conversa amiga, na contemplação da natureza.

O ser que busca a espiritualização precisa rever seus valores, e não ceder aos apelos da mídia e dos modismos, conseguindo assim alicerçar sua felicidade em terreno seguro.

O Sábio dos sábios um dia ensinou:
Não ajunteis tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Mas, ajuntai tesouros no céu, onde nem a ferrugem destrói, e onde os ladrões não arrombam e nem roubam. Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A Prece Espírita

Numa época em que orar se tornou um hábito obsoleto, inclusive para os próprios religiosos, o Espiritismo faz com que o homem redescubra o valor da prece.
Orar, para o espírita, é um ato consciente.
Na prece, em que procura valorizar mais o sentimento do que as palavras, ele empreende um estudo sobre si mesmo, de forma sincera.
O espírita sabe que a oração lhe possibilita a sintonia com os Planos Mais Altos, haurindo forças para perseverar no caminho que escolheu palmilhar sobre a Terra.
Quando ora, portanto, eis que ele se coloca, onde estiver, numa atitude de respeito e de reverência ao Criador.
Para o espírita, o hábito de orar deve ser tão natural quanto o de respirar.
Promovendo o necessário silêncio interior, ele busca ouvir a Resposta Divina às suas súplicas, resignando-se ante as provas imprescindíveis ao seu burilamento.
Nas decisões que precise tomar, o espírita ora, pedindo inspiração, compreendendo que todos estamos submetidos a um Poder Superior que governa a Vida.
Para ele, a prece nunca é enfadonha.
Esforçando-se no sentido de que haja coerência entre o que fala e o que faz, o espírita, de suas ações de cada dia, procura fazer uma prece contínua que oferece a Deus em holocausto de amor.
Para o espírita, não existem fórmulas especiais de oração.
Excetuando-se o “Pai Nosso”, a prece-símbolo da fraternidade entre os homens, que nos foi ensinada por Jesus, todos podemos compor as nossas preces segundo as próprias idéias e emoções.
Se os dirigentes das nações cultivassem o hábito da oração, antes que passassem a discutir em torno de uma mesa os problemas internacionais, certamente que o resultado de suas negociações seria bem diferente.
Se as autoridades governamentais de cada país orassem com fervor, a paz no mundo seria uma realidade e não um simples sonho.
Se todos os lares orassem de acordo com as suas convicções religiosas, a Terra seria um paraíso, atraindo para si as influências positivas do Universo, transformando-se numa estrela de brilho infindável.
Por isto, os espíritas são chamados a uma revalorização da prece, no mundo atual, que parece mentalmente afastado de Deus.
A indiferença do homem pela prece evidencia a indigência espiritual em que ele vive hoje.
E que dizermos daquele que ora simplesmente por orar, como se a oração fosse um conjunto de palavras sem alma?!...
Que o espírita perceba a extensão de sua responsabilidade e peça a Deus forças para não recuar diante dela, em sua condição de “sal da terra”...
De nossa parte, em nome dos que servem ao Cristo na seara espírita, estaremos a postos para auxiliá-los no que possamos, ainda que efetivamente possamos muito pouco.

Autor
Irmão José

terça-feira, 9 de julho de 2013

Na Hora do Silêncio


Quando te encontrares em qualquer dificuldade emocional, recorda o silêncio como instrumento divino de construção e paz.

Confuso, ele te ajudará a encontrar soluções adequadas.

Indeciso, ele te ajudará a fortalecer a idéia de maior equilíbrio.

Desacreditado, ele te ajudará a reconhecer que o mais importante é acreditares em ti mesmo.

Perseguido, ele te ajudará a compreender os perseguidores.

Injuriado, ele te ajudará a continuar apesar dos espinhos.

Vencido, ele te ajudará no refazimento de tuas forças.

Revoltado, ele te ajudará a entender o valor da resignação no processo de auto-aperfeiçoamento.

Ressentido, ele te ajudará a lutar contra o melindre.

Injustiçado, ele te ajudará a perceber que o perdão rompe a cadeia do mal.

Incompreendido, ele te ajudará a sustentar a paciência.

Toda vez que te sentires em dificuldades emocionais, pensa um pouco mais antes de qualquer atitude impetuosa e recorda que, diante de Pilatos, o silêncio de Jesus representou, para sempre, a vitória do bem imperecível sobre a incompreensão transitória.

Antonio Baduy Filho

terça-feira, 2 de julho de 2013

Felicidade Simples


O que verdadeiramente nos faz felizes? Se alguém nos fizer esta pergunta, ou se nós mesmos fizermos esta pergunta ao nosso coração, qual será a resposta?

Pensemos se o carro que temos nos faz felizes por completo. E nossa casa, ela tem a capacidade de nos fazer plenamente felizes?

Pensemos nos nossos bens materiais, na roupa cara, na conta do banco, nos adornos... Isso nos faz efetivamente felizes?

Vários pesquisadores, ao estudarem as causas da felicidade, chegam sempre a conclusões muito semelhantes.

Nossa felicidade não se constrói com o aumento do salário, com o ganhar na loteria, com algum bem caro que possamos adquirir.

Mesmo que mudemos nosso patamar de vida, que passemos a ganhar o dobro ou o triplo do salário, isso não é sinônimo de uma verdadeira felicidade.

Rapidamente nos adaptamos a um novo estilo de vida, a um novo padrão de consumo, e o que, no início, parecia ser felicidade, torna-se trivial e cotidiano.

Porém, muitos nos iludimos achando que a felicidade mora no ter, no possuir, no aparentar, no exibir.

Imaginamos que a felicidade estará naquilo que é difícil de se obter, no objeto raro, no produto caro, que sonhamos um dia possuir. Porém, a felicidade verdadeira e perene é simples e modesta.

Se não a temos, é porque complicamos a vida, e assim não conseguimos entender e aprender como buscar a felicidade.

As moedas que compram a felicidade são apenas aquelas que conseguimos guardar no cofre do coração.

Não raro, nos lares humildes, nos ambientes de carência socioeconômica, encontramos olhares felizes, corações plenos.

Não menos frequente, vemos na opulência e na fartura de bens terrenos grassarem os desequilíbrios e dores de grande monta.

Assim, se anelamos a felicidade, devemos investir no tesouro correto.

Analisemos qual a qualidade das moedas que guardamos em nosso coração.

Percebamos quais valores estamos juntando em nossos cofres íntimos.

Serão sempre eles que nos traçarão o destino da felicidade ou da desdita.

Não falamos aqui da felicidade que imaginamos haver no riso fácil, no brilho social, no sucesso das capas de revista.

Por não se sustentarem, não preencherem a alma em plenitude, são momentos efêmeros e passageiros.

Porém, se guardamos a consciência tranquila, o olhar sereno, a espinha ereta da boa conduta, usufruiremos, certamente, da felicidade.

Mesmo sob o guante da doença, ainda que sob vendavais intensos da vida, ou mesmo quando na ausência dos amores que partem, perceberemos que os valores que guardamos no coração são nossos tesouros.

Nenhuma moeda de ouro, nenhuma grande conquista financeira, muito menos uma grande conta bancária.

Independente daquilo que temos, ser feliz é o simples resultado de como agimos e do que conquistamos para nosso coração.

Em suma, a felicidade nasce da simples equação de bem nos conduzirmos na vida, perante nós mesmos, perante nosso próximo e perante Deus.


Redação do Momento Espírita.

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